2.16.2017

A Vontade

Impede-me de pregar olho, de descansar o corpo, de descansar a cabeça. Uma inquietação em fazer tudo hoje não me deixe pura e simplesmente avançar. O abismo de ter todo o caminho pela frente gela-me as opções. Bloqueio de olhar para a imensidão deste trilho. Nem lhe adivinho final. E, enfim prossigo, vou-me amparando em todos vós. De liana em liana, de humano em humano, de vontade em vontade. Sigo amarrado a mim mesmo, insuportável para mim próprio. Sigo sozinho. Desbravo caminhos só meus. Fecho os olhos mas o corpo parece que avança cama abaixo e parte de novo. O sufoco de nunca parar. A correria de estar em todo o lado ao mesmo tempo, apanhar tudo para que nada caia no chão. Esticar-me ao máximo sem dar cabo deste corpo. Comprometer-me a dormir melhor amanhã – que amanhã isto fica resolvido. Mas nunca fica. 

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