12.01.2013

Juventude Sónica

Hoje é noite de ritual. Saem de casa, aspiram o ar como quem é dono do mundo. Como quem tem toda a vida à sua frente.
Vestem a confiança de quem não confia ainda muito bem no seu corpo. Elas aproveitam para mostrar as novas mudanças, a volúpia dos novos corpos que vêm adquirindo ao longo dos últimos meses.  Eles exibem barbas recém chegadas e uma explosão de borbulhas que compete com o nível de testosterona.
Códigos de cumprimento à chegada desvendam aqueles que andam mais à vontade nestas lides. Os mais novos atrapalham-se  ao cumprimentar o sexo oposto.
Criam-se grupos, acabam-se grupos, emergem líderes e outros são dispostos. Nesta proto-sociedade adolescente as diferenças começam a vir ao de cima, e as personalidades revelam-se. Não há limites, porque a juventude simplesmente abdicou deles; goza deste estatuto próprio. 
A música alta dispara na pista e na ilusão das luzes chovem bebidas. A vida é sorvida num longo gole. No momento a seguir o coração dispara, os olhos bem abertos captam a moldura humana que os rodeia. Corpos que se tocam, que se beijam, que suam como se por aí se libertassem da infância.
O mundo será deles, isso é certo, mas esta noite é preciso dançar.