10.24.2011

Série Pronomes - Ela

Ele elevou a foto. “Era bonita não era?” Acenei com a cabeça. Não sei quem era, mas simpatizei com a sua cara bonita.

Ela foi o abrigo dele durante anos, foi um farol, foi um porto seguro, foi uma casa. Ela escolheu viver segundo a crença de que o mundo não funcionava sem ela. Por isso dedicou todo o tempo que viveu aos outros. Ela trazia consigo a serenidade, trazia as palavras em que poucos pensam, e menos ainda conseguem partilhar. Ela trazia todos os conselhos, só tinhas que escolher o teu. Ela encheu a casa de gente, viu muitos partirem e voltarem com mais gente ainda. Ela era uma força da natureza que depressa ficava com os olhos rasos de lágrimas.
Quando voltamos à casa que foi dela, ainda sentimos a sua presença e a voz meiga que ficou presa naquelas paredes.”

Dedicado a todas as grandes mulheres que tive o privilégio de conhecer, e à maior de todas, Mãe.

Da Memória


Gostava de guardar este momento. Poder voltar a ele sempre que quisesse. Não gosto de fotos; são só o registo de uma parte. E neste caso, uma foto não me serve. Mais que não seja, porque não as vejo depois.
Sei que posso voltar a esta varanda daqui a uns anos, esperar que o sol se ponha, abrir uma cerveja (espero que até lá nenhum imbecil se lembre de acabar com essa instituição que é a Mini Sagres), e simplesmente olhar em redor enquanto ocupo o cérebro com um maravilhoso vazio. Sim, até posso repetir tudo isto, mas não voltará a ser igual a hoje.

E por isso mesmo,
brindo a momentos como este!