10.18.2010

Dias Vazios

Hoje o sol afagou-me o rosto em vez de me dar a palmada matinal. Primeiro dia de sol esta semana. Primeira vez também que a água corre quente no duche. A espuma do café enche-me os sentidos e o cheiro de grãos moídos invade a pequena casa. Num cinzeiro, beatas sujas de baton lutam para não cair no chão. Uma garrafa de whisky que não resistiu a esta noite. A televisão acesa. Luto por reconstruir as últimas horas; esforço vão. Saio.
Demasiada gente na rua. Ou talvez sejam as mesma de sempre. Como vagueio sem destino, olho as pessoas nos olhos. Desviam o olhar como se o meu queimasse.
Lembro-me de um encontro, afino a rota. Sento-me sem olhar em redor, já está um café em cima da mesa e fumo no ar. Trocamos umas palavras, deixamos o ruído do resto da esplanada instalar-se no meio de nós. Levantamo-nos e cada um segue o seu caminho.
De volta a casa, tão vazia como a deixei.


Pergunto ao tempo, se ele passar
Guarda o tormento e podemos voltar
Não guardo nem tento e aí de quem tentar
Viver este tempo que custa a passar

Dias vazios, de tudo o que é normal
Dias vazios, de tudo o que é…

Presos num mundo
Presos sem lar,
Escuta o murmúrio
Há quem queira escapar

Largam a corda
Que ninguém sabe atar
Vivem sem medo,
Se este tempo,
Se este tempo passar.

“Dias Vazios – Kwantta” - http://www.youtube.com/watch?v=i7dH9hFQMOY