11.11.2008

E amanhece.

Doeu amanhecer.
Tanto sol estalou-me a pele.
A noite ainda pulsava dentro de um corpo que deu demais.
Os sentidos, apesar de apurados pelo arranque do dia,
fundiram-se numa vertigem sensorial.
Doeu amanhecer.
E nem sei dizer onde doeu mais.
Foi bem cá dentro.
Mas mais ainda quando senti que a noite tinha escapado sem avisar.
Doeu amanhecer.
E dói cada vez que a noite toma conta de nós,
nos rouba o corpo,
nos usa a seu belo prazer,
nos tenta,
nos deleita.
Doeu amanhecer.
Mas soube bem voltar,
e saber que depois da noite nada mudou.