6.04.2008

De um só fôlego


Pensamentos tão breves...
Ideias que não o chegam a ser.

A estática,
a suspensão,
inquietação?
confusão,
barulho,
agitação!
Estamos fora de nós, tão fora, tão distantes!
Estar e não estar, ou estar em outro lugar que não aqui!
Estar perto, ou longe, conforme a vontade.
Partir, voltar, e pensar…
Ou então não pensar, que isso faz mal!
Deixar o corpo naufragar,
numa teia feita de sonho,
numa teia feita de vazio,
feita de espírito que não é mais
que reflexo da carne que pende em nós.
Carne que se arrasta, caminha trôpega em busca...
Em busca?
Agita um pedaço no dedo no ar, e apodrece devagar enquanto não pensa.
Ora cai, ora se levanta, ora existe…pura e simplesmente existe?

Merda!
Ah ódio da carne!
Ah peso morto!
Ah pedaço de meio homem!

Parte e volta inteiro, pois assim, uno nunca serás!
Pelo pecado da carne sofrerás,
pelo do pensamento viverás!
Pensar que se escapa por entre os dedos
uma tal de ideia que nunca será...
A dança do pensamento entorpece
os movimentos do pedaço de carne que somos.
Tomados pela confusão sensorial, não somos mais nós não…

E num sufoco caímos, para começar de novo.