3.15.2008

Equilibrista


Recordo os tempos em que caminhava numa corda tosca.
Corda rude, na qual os passos não eram mais que corajosas intermitências.
Corda gasta, corda velha, usada por outros que já lhe conheciam as manhas.
Mas eu, triste equilibrista!
Presente envenenado, talvez assim a tenha pensado.

Caímos, e voltaremos a cair.

E eram aparatosas as quedas, não o nego.
Fazia o caso bem mais sério do que era.
E eram muitos os que acudiam.
Eram muitas as mãos que se estendiam para me amparar.
E para lá das mãos, haviam as redes.

Para lá das redes, o medo.

Seguiam-se interrogatórios cerrados,
pela mão que ampara …
Caí algumas vezes pelas mesmas razões.
Lembro-me, na repetição já só encontrava a rede.
Era a ultima fronteira.

Caímos, e voltaremos a cair.

Até que a corda começa a parecer-se mais familiar.
Mais larga até. Menos violenta. E nós, mais ousados!
As caminhadas são mais demoradas e já não sentimos tantas mãos quando caímos.
Sim porque,

Voltaremos a cair.

Sabemos que sim, mas já pensamos mais na caminhada que na queda.
Passamos mais tempo na corda que na rede.
Para lá das redes, haverá sempre o medo! Isso é garantido.
Mas em cima da corda há muito caminho.

Crescer.