11.07.2007

contemplação dos dias simples


Esqueci o tempo que demorei a olhar-te. O tempo que o meu olhar repousou em ti, que te envolveu, e deu forma. A forma que eu quis. Nesse tempo o olhar não era mais meu.

Mas o tempo não parava, que isso é fantasioso. O tempo escorria, delicado e sumptuoso, sem pressa na sua passagem. Apesar deste seu desfile, eu pouco lhe ligava. Era apenas uma parte ínfima da minha contemplação.
Vivia-se a calma dos dias e a simplicidade das coisas. Só aí podíamos aspirar as fragrâncias que modulam a vida.

Quando os corpos repousam e se contemplam,
quando os olhos se prendem no traço,
que não é mais que uma réstia de tempo,
quando esse tempo se estilhaça e nos acorda do transe…


Então lembramo-nos que nos novelos do tempo repousa a contemplação dos dias simples.