10.28.2007

Convite

Envoltos na noite. Regressávamos ao nosso habitat natural. As ruas eram nossas. Mudávamos os sentidos a nosso belo prazer. Os passos caóticos como sempre! De certo modo, o dia parecia apenas um caminho necessário para chegar até aqui.

Perdíamo-nos com gosto. Nunca nos interessou o ponto de chegada, regozijávamo-nos com o caminho…

E as luzes já nos queimavam a pele.
Os corpos já se soltavam dos próprios corpos.
Os corpos aproximavam-se.
Os corpos confundiam-se.
Os corpos fundiam-se.
Os corpos repeliam-se.
Rodopiávamos.
Dançávamos, ou ensaiávamos que dançávamos…
A vibração arrancava-nos do chão…


E o fumo consumia o ar que tentávamos aspirar. O álcool entranhava-se nos corpos cada vez mais soltos, a adrenalina disparava e inundava o espaço.
O espaço era demasiado pequeno, os corpos gritavam por estravazar, gritavam por mais ar…
Os corpos aguentavam muito para além do limite; os corpos desconheciam o limite.

No final os corpos cediam ao cansaço, apoiados em outros corpos voltavam às ruas.
Aquelas ruas que pareciam ter estado ali à nossa espera, para nos levar de volta.


E hoje… Voltas a uma dessas noites? ;)

10.24.2007

Olhos nos olhos

Ontem não te abracei. Ontem não te disse que tinha saudades, que ainda tenho saudades. Não olhei para ti olhos nos olhos…

E não te disse como é bom estar contigo. Não disse nada do que pensava nesse momento. Não fiz nada do que deveria ter feito.
Disfarcei tudo num sorriso, meio sorriso, meia careta. Atulhei a conversa de futilidades. Tu deitaste mais lenha para a fogueira e seguimos por aí.
Mas abraçavas-me com o olhar, e os teus olhos não mentiam. A conversa disfarçava a catadupa de palavras atenciosamente calculadas e medidas ao pormenor, para não nos ferirem.

Mas hoje...

Quero um abraço bem forte e apertado.


De volta ao refúgio!

Um grande abraço a todos