4.17.2007

Fundações


Estão bem fundas. São os pilares do ser. Pouco sabemos sobre o quando, o porque, ou o como da sua construção. Mas certo é, estão cá, bem cá dentro. Têm tanto de forte, como de discreto. Quantas vidas poderiam ser vividas sem nunca se dar por elas...

Serão elas que nos movem?
Que nos indicam caminhos, atalhos, e trilhos sem saída?
E serão abaláveis?
Serão amovíveis?
Perenes?
Efémeras?
Estáticas?
Será isso necessariamente bom?
Necessariamente mau?
Questionáveis, isso pelo menos devem ser. E o que acontece quando a construção é fraca? Quando a base do nosso ser não aguenta tudo o resto.
Enquanto construímos, sentimos os alicerces deslizar. Abrem-se rachas nos muros que nos protegem. O pânico apodera-se de nós. Julgamos ser muito tarde para derrubar e começar de novo.
Será esse medo….justificável?
Uns acenam que sim, outros escandalizam-se com a proposta!

Mudança. Assusta não é? Mas mudemos! Até podemos arrepender-nos mais tarde, ou mesmo no minuto seguinte! Não suspiremos por mudanças que nunca vencerão, nem sonhemos com as rotuladas de inalcançáveis. Não vivamos numa hipócrita cápsula de inabalável estrutura. Até porque mais tarde ou mais cedo ela cede e aí temos que inventar desculpas esfarrapadas para justificar o ambiente de estaleiros, baldas de massa e betoneiras.

“Estou só a mudar este alicerce, nada de especial! Não gostava muito de o ver ali…”

4.09.2007

Boa noite

O álcool penetra fundo nas veias e faz me voar num universo paralelo. Ou talvez me deixe ver aquilo que a o estúpido filtro da realidade não me deixa ver...


"E se inventássemos tudo de novo?

É isso! Começar de novo!


Será que te consegues enganar durante mais tempo? Até perceber que só podes ser feliz de uma maneira? Ou melhor, de mil e uma maneiras que não esta. Uma vida completamente programada… tu sabes o que vais vestir amanha! Sabes a que horas vais acordar, sabes com que pessoas te vais cruzar, já antevês o que lhes vais dizer, e com que propósito, e qual a tua motivação! Mais um formatado! Mais um espírito aprisionado, mais um num milhão.


E o grito continua a ferir-te a garganta, a ressoar na cabeça.

Sabes que não há escapatória.

Sabes que só te resta gritar por liberdade em raros momentos, e disfarçar logo de seguida.

Virar as costas a tudo, e seguir o caminho que ninguém traçou para ti?

Mas ser tão livre assusta-te não é? Chega a ser tão obscuro que, talvez por isso, te escondas atrás de uma figura que…”

O comando da televisão cai-me da mão. Acordo com o barulho.

Bolas adormeci no sofá.

Que sonho estranho…

Enfim vou dormir,

Uma boa noite para vocês ;)