1.12.2007

Noite.


Ansiei o dia todo por ti.
Agora embalas-me nos teus braços escuros e misteriosos,
enquanto toda a gente se retira para gozar um merecido repouso.
Gostava que me levasses num grande passeio pela cidade.
Tu conhece-la melhor que eu.
Consegues iluminá-la muito melhor
quando impões aquele jogo de sombras que eu adoro.
Ainda há quem ouse atirar que tudo em ti é vazio.
Não conseguem ver para além da escuridão então!
Desfilas diante de mim, exibindo vestes negras.

Sabes, o dia faz cair tudo em exagero.
As vozes chegam-me gritadas,
as cores parecem demasiado fluorescentes,
sons tão fortes, quase distorcidos,
numa imensidão de cheiros que me ferem o olfacto.
No teu conforto, tudo se apresenta nas proporções ideias.
O som de uma buzina lá ao longe não me incomoda,
nem a conversa em surdina de dois amantes no andar de cima.
Posso ouvir isto tudo quando de uma varanda
contemplo a cidade e te toco ao de leve,
tentando impressionar-te com formas de fumo.
Qualquer cor é um deleite,
e vale pelo tempo que perdemos a encontrá-la…
Bem sei que não tarda, e sais.
Finda a madrugada e sinto-te desvanecer…

No ar que já desisti de tentar agarrar.

A todos os noctívagos.