12.10.2006

Unplugged


Hoje resolvi desligar-me de tudo.
Fechei todas as janelas, todas as portas.
O espectro citadino hoje não me toca, não desliza sobre o que sou, ou o que ele quer que eu seja.
Desliguei todos os aparelhos que recheiam a minha vida de barulhinhos pós-modernos.
Escondi-me de todos, e de mim mesmo.
Hoje, nada me perturba.
Nada me invade.
Nada me impede de ficar só.
Quero ficar assim, só por ficar.
Não é para pregar uma partida à sanidade, nem purificar a mente, nem meditar, nada disso! Nem sequer justificar. Só por isso já estaria a pensar.
E que me desculpe a razão, mas hoje peço delicadamente que se retire.
Deixe cá um pouco de si, se o pedido não cair mal, o suficiente para me deixar perceber
o quão bom será este momento…

12.08.2006

Observo...

Metro.
Fim do dia.
Há cansaço espalhado pela carruagem. Mas também existem aqueles gajos que olham freneticamente em seu redor. Observo as pessoas, tornou-se um passatempo como outro qualquer. Reinvento-as na minha cabeça. Um metro a abarrotar é um meio muito rico para tais desaires. Os meus olhos periscópicos detém-se no homem do banco mesmo em frente. Aquele olhar intermitente era dirigido a mim? Mas com bloco de notas e tudo? Tinha encontrado outro lunático que se divertia tanto ou mais que eu (sim porque este tirava notas) e para cúmulo eu tinha passado de observador a observado?!
Pânico! Tinhas mesmo que me escolher a mim? Eu sei o que estás a fazer! Escolhe outro! Um que não te arruíne, que seja natural em tudo o que faça!
Bem, vou controlar-me. Já desviei o olhar mas…bolas! Enquanto pensava, aterrado, já tinha descruzado a perna e agora agitava os dedos uns contra os outros numa dança ridícula. Recomecemos, vou ser apenas eu num dia normal e estou a viajar de metro…não, não e não. A angústia é tão grande que estou a um passo que me dirigir ao senhor e explicar-lhe porque não deve observar-me, muito menos escrever sobre mim. Levantou-me e saio nessa estação. Ainda estava a duas de casa mas decido fazer o resto do caminho a pé. O observador tem tanto de atento como de cobarde. Sigo debaixo de forte chuvada sem me preocupar. A culpa que carregava aos ombros incomodava mais.


Para todos os que se sentem indiscretamente observados :)