10.29.2006

Enganando a Razão

A tranquilidade e a inquietação dançam de mãos dadas, os cânticos ressoam na minha cabeça enquanto a razão dorme.

“Bem sei que adoras. É absolutamente desnecessária a confissão. Adoras o limite! Adoras tocar-lhe sem o destruir, percorrer todo o caminho que te leva a ele. Há lágrimas e sofrimento, mas teimas em vesti-los sem pudor. Tu sabes que a compensação é enorme. Se possível, tentas chegar a um ou outro limite todos os dias. Provavelmente nem sabes que vives nessa angústia, nem deves pensar muito nisso. Não! Não sou um pseudo-profeta que te vem pregar a palavra já gasta de passar de boca em boca. Não te venho dizer nada que não saibas. Tu bem sabes…só faz sentido se for assim! Podes tentar fugir a essa estranha natureza, podes nega-la, mas ela está lá. Um limite esconde-se em cada acção, em cada gesto. Queres mantê-lo assim, sentir o peso sobre os ombros, os gritos do teu corpo, os berros da tua cabeça a ressoar nela mesma, uma explosão sentimental! Grita lá isso do cimo do teu ser! Vais ficar sempre nesse vale incoerente onde uma brisa é acontecimento louvável simplesmente…porque aconteceu?!
Testa tudo, e o todo que tu és! Vive em constante teste. E erra também! Mais do que uma vez se achares necessário, se tiver que ser, porque não?!
Tens outra opção? Claro, aliás já te vejo mergulhar na superficialidade barata e derrotista sem molhar a razão. Cuidado! Talvez um ou outro pensamento se molhe… Bravo! Mas hás-de querer rir, hás-de querer chorar…e terás um deserto árido à disposição.
E há mais! Não julgues que…”

A razão acordou e a inquietação correu a esconder-se naquele canto que nunca visito. Lá ficou a tranquilidade incompleta e aparentemente feliz…